Vasto mundo de intelectuais

Lívio e demais amigos:

Achei a agenda abestalhada muito engraçada. Aproveito para esclarecer umas coisas sobre a universalização do conceito de intelectual:
1) O exemplo de Manuelzão é ótimo: intelecto é só ter e usar. Todos os seres humanos o têm, suponho. Quanto ao uso, restam dúvidas mas isso se aplica a diferentes segmentos sociais – faxineiras, violinistas clássicos, balconistas, professores de Filosofia, donas de casa.
2) É claro que existem os intelectuais de ofício. Quando eu universalizo o conceito, estou falando dos amadores. Amador é quem ama.
3) A vida humana é ato cultural de cabo a rabo. Tanto ler Homero quanto cozinhar um ovo são atos culturais. Daí, o uso permanente do intelecto, de diversas formas – e não só quando cozinhamos um ovo.
4) Antonio Gramsci e Claude Lévi-Strauss, tão diferentes um do outro, falam sobre aspectos muito importantes do tema. O primeiro, no livro “Os intelectuais e a organização da cultura”, defende algo parecido com a universalização do conceito mas subdivide a categoria – intelectuais tradicionais (os profissionais), intelectuais orgânicos (quase ideólogos…), intelectual coletivo (o partido!). O outro, no livro “O pensamento selvagem”, defende que os ditos selvagens pensam, embora de um modo diferente daquele que os leitores de Kant estão mais habituados.
Por último, é muito importante que as pessoas pensem de diferentes formas sobre esse e sobre todos os assuntos. Isso ocorre porque estamos usando o intelecto.
Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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