Veja e os Jim Jones da imprensa brasileira

Faz tempo que deixei de interessar-me por Veja. Tenho acesso online, de graça, ao conteúdo integral da revista, mas raramente a folheio. Acho-a fundamentalista, reacionária e parcial em excesso para o meu gosto. Em alguns casos, deturpadora dos fatos e destruidora, de maneira injusta, de reputações. Na maioria das vezes suas reportagens são editorializadas, tentativas de impor a visão que a revista tem sobre tudo. Passo longe da revista, notadamente, porque ela choca-se com a minha visão de mundo.

No dia do jogo da seleção brasileira com a Costa do Marfim, estava na casa de uma amiga assistindo-o. Tinha uma Veja por lá e no intervalo da partida dei uma olhada, curioso com a chamada de capa, sobre o Cala Galvão-Twitter. Foi só para ratificar o que já sabia sobre a publicação. A reportagem é preconceituosa e deturpada sobre essa ferramenta social. Fiquei com a impressão que incomoda à revista ferramentas como o Twitter, que pluraliza a informação e mexe com a hegemonia da grande imprensa brasileira. Quanto a isso, não há o que fazer, a não ser espernear mesmo.

Também dei uma olhada no obituário de Saramago, umas 30 linhas, no máximo. O principal aspecto destacado pela revista sobre o único Nobel de Literatura de língua portuguesa era… sua ideologia, as ligações com Cuba etc, só faltou dizer que se tratava de um comunista comedor de criancinhas. Li até o fim só para escrever sobre isso depois, mas o fiz contrariado.

Acho que Veja levou ao extremo sua linha editorial de direita e contrária aos movimentos sociais, de horror a tudo que não seja o mercado. Em veículos como FSP, Estadão e O Globo, apesar das linhas editoriais e arrogância próximas à Veja, principalmente na demonização ao Governo Lula, há o que se ler, tanto é que não são poucas as vezes em que transcrevo aqui textos deste veículos. O que não ocorre com Veja, que se transformou numa seita ao longo dos últimos anos, com vários Jim Jones a soldo (o que não é prerrogativa de Veja, sejamos justos, os outros veículos também tem os seus).

Por isso, não me espanta mais o que boa parte da imprensa brasileira publica. Lamento, apenas, que muitos ainda se deixem levar por ela. Felizmente, contamos com os blogs e sites, que oferecem questionamento, resistência e pluralidade a essa visão única passada pela velha mídia.

Fiz dois comentários (140 toques) no Twitter, especificamente sobre a reportagem de Veja acerca do Twitter/Galvão Bunes, e um leitor lembrou que o jornal Gramma, de Cuba, também tem uma linha editorial parecida com a de Veja, só que no sentido inverso, claro. Faz sentido e eu sou crítico das duas.

E por último um conselho, não tente discutir com os leitores de Veja e Cia., a lavagem cerebral que eles sofreram impede qualquer possibilidade de diálogo ou debate.

Comments

There are 4 comments for this article
  1. Ana Luiza 24 de Junho de 2010 18:02

    assino embaixo, amigo. inclusive sobre a inutilidade de se tentar argumentar com os leitores de veja e cia. já desisti, faz tempo.

  2. Carmen Vasconcelos 25 de Junho de 2010 6:51

    Boa, Tácito. A revista Veja é terrível, mesmo. Ridícula.

  3. João da Mata
    João da Mata 25 de Junho de 2010 8:14

    Revistinha mediocre. Faz tempo deixei de assinar. Todo dia recebo propostas para assinar. Até 100% de desconto ainda é caro para acumular lixo e poluir. Revista preconceituosa e que presta um péssimo serviço. Politicamente é um terror. As matérias culturais são superficiais.
    So lamento que tem muita gente que ler e se sente informado.

  4. Alan 29 de Novembro de 2010 15:02

    A revista Veja e fascista,manipulada e distorce informações para tentar manipular a opinião pública.

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