Vencedores do Concurso Luís Carlos Guimarães

A SecultRN/FJA apresentou o nome dos vencedores do XIII Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães, que revelou um novo talento seridoense e consagrou mais dois nomes já conhecidos da literatura potiguar. O 1º lugar foi para a professora e poetisa curraisnovense Maria Marcela Freire; O 2º lugar ficou com Márcio Simões, ensaísta, poeta com livro publicado, proprietário da editora Sol Negro; e em 3º lugar vem o também ensaísta e poeta Paulo Caldas, professor do IFRN em Ipanguassu.

Todo o processo de apuração foi acompanhado por Márcio Lima Dantas, professor de literatura da UFRN, junto aos membros do júri Yuno Silva e Adriano de Sousa. O terceiro membro do júri, Daniel Dantas, não pôde estar presente na abertura dos envelopes. De acordo com Márcio “O Prêmio LCG cumpriu seu propósito, que é fazer surgir novos talentos poéticos, pois o primeiro lugar veio do sertão de Currais Novos; o segundo e terceiros lugares,consolidam dois nomes já conhecidos na nossa cena literária,” enfatiza.

Increveram-se 119 poetas. Dos quais 15 fora, classificados. Os três primeiros lugares receberão R$ 8.350 em dinheiro e participarão do livro, recebendo 50 exemplares cada. As 12 menções honrosas receberão 25 exemplares da coletânea. A premiação no valor de R$ 3.800 (1° lugar), R$ 2.800 (2°) e R$ 1.750 (3°) deverá ser paga até 15 de dezembro. O livro com os poemas dos três primeiros lugares, mais as menções honrosas, será produzido de acordo com a demanda da gráfica Manimbu.

Os doze poetas contemplados com menções honrosas pelo júri são João Andrade, natural de Natal; Araceli Sobreira Benevides (São Paulo-SP); Alexandre Magnus Abrantes de Albuquerque (Natal-RN); Paulo André Benz (Porto Alegre-RS); Goreth Serra (Fortaleza-CE); Adriano Charles Cruz (Natal-RN); Margot Marie, nome artístico de Margareth Pereira Dias (Parnamirim-RN); Marina Rabelo (Natal-RN); Alessandro de Lima Nóbrega (Tangará-RN); Luiz Renato Dantas de Almida (Natal-RN); Luiz Luz (Areia Branca); e Mário Gerson Fernandes de Oliveira (Mossoró-RN).

1° Lugar – Maria Marcela Freire

A seridoense Marcela Maria Freire também é conhecida por alguns colegas de faculdade, trabalho e poesia como Mamafrei. É formada em Letras pela UFRN (Língua Portuguesa/Inglesa e suas respectivas Literaturas), campus de Currais Novos. Foi aluna bolsista e voluntária de Projetos de Extensão e de Pesquisa. É poetisa, possui um blog de poesia: http://venusrenascida.blogspot.com.br/; é ministrante de oficinas de poesia e coordenadora do grupo “Poesia Potiguar & Cia”.

 Vivendo a perigo
Quero amor silencioso,
balbucio

Quero lamber teu rosto
igual loba no cio.

 

 Braile

Aprendi a domar
meus medos

confiando em meus
próprios dedos.

 

2° Lugar – Márcio Rodrigo Xavier Simões

 Natural de Caicó-RN, é graduado em Letras e mestre em Linguística pela UFRN. Publicou resenhas e artigos de crítica literária nas revistas Preá, Badalo e Agulha. Tem poemas publicados nos livros IV, VI, e VIII do Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães, da Fundação José Augusto, anos 2004, 2006 e 2008 e no do 3º Concurso de Poesia Zila Mamede, 2006. É editor e idealizador da Sol Negro Edições. Publicou em 2008, pela Flor do Sal, o livro de poemas “O pastoreio do boi”.

Noturnos

 I

tempo pra perder, e ganhar com ele a paciência
tranquila das horas amenas
quando as ameixas do mato desfloram seus frutos
e procuramos em vão, dentes cravados no pomo amarelo,
na curva do morro pétalas e pistilos de corolas que caíram

II

uma coluna negra de nuvens atravessa o céu
cindido em dois – um lume claro de um lado
a outro atrelado de acácias e cachos
de estrelas

 

3° Lugar – Paulo de Macedo Caldas Neto

 Graduado em Letras/Língua Portuguesa e Literaturas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Nasceu em Mossoró, mas reside em Natal desde os 3 anos. Tem mestrado na área de Literatura Comparada pelo Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem-UFRN e atualmente é doutorando nesse mesmo programa. Lecionou como professor efetivo nas Redes Públicas de Ensino do Estado e do Município de Natal até 2011, quando saiu, após aprovação em concurso público, para o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, onde leciona Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no Campus de Ipanguaçu/RN.

Licor de poema

 O poema – R$ 1,50 no boteco mais próximo.

A estrofe – exército rente à praça popular e sem generais, porque já não enganam com o Apocalipse.

O verso – o tiro de fuzil nos barracos infectos.

O ritmo – bala perdida a cantar na dor dos eremitas noturnos

e nas suas melodias sem êxito, obscuras de linguagem.

Metro – antes o teor alcoólico restante na língua salitrada dos mestres corretos,

devorando as musas do Parnaso numa nuvem hipócrita e repleta de algarismos.

Pobres postulados, abrindo caminho para uma rebeldia nova: o uso do crack injetável na veia do prazer. E agora, bolha de parasitas

de um palácio saudita deformado.

 

 

Promiscuidade: versos cabendo consoantes como centro da sílaba;

estrofes brigadas do resto do conjunto; rimas fuziladas por diversão;

métrica doente e fonte de veneno que mata, instantânea,

sem mais tempo para o deleite.

 

 

Cicuta que há muito constrói minha vontade do só sei que tudo sei

quando me desafio

para nunca querer saber do poeta,

que me convence de

não bebê-la.

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo