VENDAVAL

Carlos Gurgel

quem é voce
que chega de madrugada e me assassina
com suas garras de barro
enfatiotando meus sonhos e deslizes ?

quem é voce
com essa cara de mau
que desarruma meu cotidiano de merda
pronto para se entregar
na primeira esquina do apocalipse ?

quem é voce
que dilacera minha face
como cura dos meus medos e fugas
sem força e visão
para proteger as chuvas e os desmaios ?

quem é voce
que me acusa de falsário e traidor
que me sufoca
e estrangula minhas lágrimas e lares
como espantalho de uma rosa vermelha
que explode entre a esquina e o retorno ?

quem é voce
que me faz renascer entre cinzas
como vigia de intuições modernas
e a lúgubre rotina do passado?

quem é voce
que se arvora
de símbolos, signos e cítaras
tão afortunado de mapas e roteiros
como uma girafa
que vê o mundo de cima
e borrifa sofreguidão e recados?

quem é voce
que já não sabe o seu nome
que sacoleja os dentes de uma língua vazia
semelhante a uma febre doentia
parecido com uma tragédia prenhe de alergia?

quem é voce
que me acusa de fantasma
de seu ladrão sem limites e sinais
de seu protetor entre tôrres e castelos ruidos
sem esperança, porvir, amanhã?

quem é voce
que me detesta e blasfema
sacrifica meus pés e filhos
minhas manhãs, alimentos e a minha sorte?

quem é voce
solitário, que me diz o que devo fazer
sem costela, respiração, crença, destinatário
mar, juízo, vestimenta, demente, qual um Caim?

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