Vereadores de Natal querem destruir prédio histórico tombado

Por João Batista Mendes de Lima

Amanhã (14) será um dia de preocupação para o segmento cultural de Natal. Nesta quinta um grupo de vereadores leva ao prefeito Carlos Eduardo o projeto arquitetônico do novo prédio da Câmara Municipal de Natal, que pasmem será no tombado e histórico prédio da atual Capitania das Artes, na avenida Câmara Cascudo. Trata-se de uma obra gigantesca, com 10 andares, bem no coração do Corredor Cultural do Centro Histórico. O projeto da nova CMN não é novo. Mas, agora parece que vai sair do papel.

O problema é que o prédio da Funcarte é tombado e protegido pelo Ipahn (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional). Se a ideia dos vereadores for emplacada, a cultura perde um espaço vital. O estacionamento da Capitania das Artes serve hoje para shows, ensaios e outras manifestações culturais.

Inclusive, no projeto original da criação da Funcarte – início dos anos 1990 – já estava prevista sua expansão com equipamentos voltados para a cultura. Não a construção de um prédio de 10 andares sem utilidade para quem produz e vive da cultura.

A ideia de levar a Câmara Municipal para onde hoje é o estacionamento da Funcarte está tão avançada que o projeto arquitetônico já está pronto e nesta quinta-feira um grupo de vereadores leva a minuta já pronta.

Por outro lado, é intensa movimentação e protestos nas redes sociais de produtores culturais, artistas e especialistas ligados ao patrimônio cultural da cidade.

Quinta-feira quente na área da cultura.

Comentários

Há 8 comentários para esta postagem
  1. Ricardo Lago 20 de fevereiro de 2013 8:40

    Ora, mais essa. Se já não fazem nada na atual sede imaginem tento o rio e o mar como cenário

  2. Daniel Menezes 16 de fevereiro de 2013 14:06

    A ação de tamanha magnitude não é discutida, independentemente do lugar aonde a câmara será instalada. Falta democracia.
    O fato se torna mais grave diante do local aonde a CMN deseja se instalar.

  3. Marcos Silva 15 de fevereiro de 2013 6:58

    Djalma, parece que o tombamento atual abrange apenas a fachada da antiga Capitania dos Portos, seria conveniente checar isso. Mas isso não impede que qualquer cidadão proponha o tombamento da Capitania das Artes (edifício construído por trás da fachada tombada). Prédios recentes, dependendo de sua importância para a população, podem ser tombados, sim.

  4. Djalma 14 de fevereiro de 2013 22:08

    Sou leigo no assunto. Entretanto, não entendo como que um prédio tombado em toda a sua extensão pode pode ser invadido. Pior, pelo poder público. Alguma coisa está errada!
    Onde estão, principalmente os novos vereadores: Amanda Gurgel, Sandro Pimentel… Não ouvi nada na televisão, será que estão de acordo? Porque não fazem novos andares na sede já existente? Fico indignado! Se não tem espaço, sentem uns nas cabeças dos outros, o que não pode é criarem projetos mirabolantes que choquem a opinião pública e transgridam leis. Uma pergunta fica no ar: Quem ganha com isso? Alguém deve estar levando vantagem. Não acham?
    Enfim, nem precisa de gabinetes. A cidade está precisando dos vereadores nas ruas, “enveredando” palavra inclusive, que dá origem ao nome dos seus cargos. A sociedade precisa saber e abortar essa atrocidade. Multipliquem…

  5. RONALDO 14 de fevereiro de 2013 15:32

    Concordo plenamente com a Eloneide.Esses vereadores improdutivos (com algumas excessões) ficariam muito bem alojados naquele local.

  6. Enoleide Farias 14 de fevereiro de 2013 10:20

    Bem que podiam levar a Câmara Municipal pr’o local onde funcionou a Colônia João Chaves. Com um prédio de 10 andares, eles não teriam como reclamar da vista. O Potengi surgiria lindo, a Ponte Newton Navarro, esplendorosa, e de quebra uma vista sem igual da Zona Norte, que os nossos onerosos edis nunca olham.

    Minha proposta é colocar a Câmara do lado de lá, a população da Zona Norte vai adorar, vai ganhar um pouco mais de segurança, tenho certeza.

    E não adianta dizer que o Complexo Cultural seria prejudicado. Com a dinheirama que essa obra vai custar, dá pra transferir tudo de artes para o prédio da Capitania. Até porque, não concluirám o espaço, lá.

  7. Anchieta Rolim 13 de fevereiro de 2013 14:44

    Só o que faltava. Com tanto espaço por aí… porque não fazer essa obra em outro local? Terra sem lei !

  8. Marcos Silva 13 de fevereiro de 2013 12:20

    Lembro do prédio (ainda prédio) da antiga Capitania dos Portos, funcionando, com boa biblioteca especializada – consultei materiais do IBGE no local.
    Tombaram o que restou do prédio: a fachada. De quebra, veio a bonita localização, com vista de fundos para o Rio Potengi.
    Desse ângulo, será difícil evitar a construção de uma nova Câmara Municipal ali. Os defensores da construção argumentarão que podem preservar a fachada tombada…
    O argumento de espaço cultural é mais forte. Sugiro que ele seja não apenas evocado, mas também materializado em atividades significativas.
    Grupos de música, dança, teatro, artes visuais e similares podem colaborar largamente nessas atividades de emergência, em defesa da atual sede da Capitania das Artes.
    De quebra, vale perguntar: por que a Câmara Municipal tem que ser ali? Por que não levar a Câmara para áreas de expansão de Natal, além-Igapó, Emaús…? Isso valorizaria tais bairros, ampliaria a presença governamental no pedaço etc.

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