Veríssimo de Melo – Um gentleman

Foto:Veríssimo de Melo e Câmara Cascudo

VI -Personalidades da Cultura do Rio Grande do Norte

Saudades de ViVi

Saudade de ocê meu amigo. Aquela mesa no antigo Casarão ainda está esperando pra continuarmos a nossa conversa sobre o Einstein. Lembrei muito de você quando comemoramos o centenário do ano miraculoso do grande gênio. Ivanildo tocava o seu belo sax e a nossa conversa entrava em ritmo de jazz/valsa/choro. O Alex Nascimento, sempre presente, tirava qualquer dúvida sobre a música. E você, me sabendo físico, queria falar sobre a teoria da relatividade. O som era alto e o whisky era o do professor. Ainda lembro da sua animação quando soube que eu também era leitor de sua obra. E fui falando de seus livros e da relação física / filosofia. Recebi comovido o livro de sua autoria sobre Einstein.

Por quê um antropólogo não pode escrever sobre Einstein, e um físico falar de Etnografia? Lembrei do livro que organizastes sobre a correspondência entre Mario de Andrade e Luis da Câmara Cascudo. Duas paixões!.O livro foi uma revelação e precisa ser re-editado, corrigindo algumas pequenas falhas. O Vingt -Un Rosado nos deixou recentemente e foi lhe fazer companhia. Antes, ele publicou um livro (Vingt – Um Rosado – Saudades de Veríssimo, Col. Mossorense, 2001) com a sua correspondência endereçada a ele em quase 50 anos de luta em prol da cultura de um país de saber pouco e esquecer mais ainda. É assim mesmo Veríssimo; não adianta esperar reconhecimento dos homens.

O Oswaldo Lamartine resumiu isso no belo discurso que fez ao receber o título de doutor (me arripiei todinho ao ouvir): “É que a balança dos amigos costuma ser manca”. Sim, rapaz, ele recebeu o titulo de Doutor honoris causa da UFRN. Ainda se faz justiça “nesse sertão de caboclo de mãe preta e pai João”.

Lembro quando voce escreveu no longe – 1980: “com cara de menino do sertão que não se cria” Ele tambem nos deixou e foi encontrar você.

Vivi; você escreveu mais de 80 livros, ensaios, etc. Livros fundamentais tais como o Folclore Infantil (1981), Xarias e Canguleiros (1967) e muitos outros que enriquecem a bibliografia etnográfica brasileira. Muitos dos artigos / ensaios que você escreveu foram feitas plaquetas. Tenho a maioria desses ensaios em plaquetas e gostaria de sugerir uma re – edição temática desses ensaios. O conselho estadual de cultura do RN, onde você foi presidente e deu tantas contribuições importantes para a nossa cultura, poderia se encarregar dessa importante missão nesses mais de dez anos sem você aqui no Casarão.

Tô com saudade de ocê meu amigo. Vou pedir mais uma, e aquela musica tocada no sax de Ivanildo: “My way”

Um abração.

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