Viagem ao Sertão do Conselheiro

FOTOS: Evandro Teixeira (livro e exposição “Canudos”)

I – Viajante Contumaz

Daqui partimos em direção ao sertão do conselheiro. No mês que comemora a queda de Canudos, mais que uma viagem uma missão. Cinco tripulantes (João da Mata, D. Inácio Sena, Múcio Procópio, Abimael Silva e Homero Costa) em uma viagem pela caatinga e semi-árido nordestino. Com a certeza de que não é possível conhecer o sertão sem percorrer as suas glebas, estradas poeirentas e córregos secos, esperando a chuva chegar para poder novamente viver.

Nos pequenos povoados, as pessoas tão pouco acostumadas com o outro muitas vezes adentram a casa na chegada de algum transeunte. De outras voltas aparece toda a família e cachorros para saber do ocorrido. A gente é boa, simples e prestativa. O sertão já não é o mesmo do conselheiro. Antenas parabólicas, cisternas e iluminação rural fazem menos dura a vida do nordestino.

Muitas estradas já foram asfaltadas. Pontes atravessam o Velho Chico. Ainda assim a terra é desolada. Só o aparecimento da quadra chuvosa para dar esperança ao homem do campo. Em outras terras e outras gentes, esse problema já foi resolvido em solos não menos áridos. A Califórnia e Israel já resolveram esse problema, mas o nordeste brasileiro foi esquecido em séculos e séculos amém. O sertão de beatos e cangaceiros reza e resiste. Desde 1988 são organizadas Romarias em Canudos – Bahia, para lembrar dos mortos, clamar por justiça social e melhores condições de vida. Nos dias 15, 16, 17 e 18 de outubro acontece a 22ª Romaria de Canudos. A Canudos primitiva não existe mais. A 2ª foi alagada pelo açude Cocorobó, construído em 1968. A população de belo-monte formada de mais de 20 mil pessoas foi dizimada numa guerra que durou menos de um ano (1906/1897). A história foi coberta por uma lâmina d`agua numa gravata branca da república brasileira.

Antes de continuar a viagem pelo vale da morte e pelo monte santo um atalho na VII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco para abastecer. Alusivo a Canudos/Euclides adquiro os livros: Canudos – Visões e Revisões, do Oliveiros Litrento ( Biblioteca do Exército Ed.). Uma história da Guerra de Canudos, do José Rivair e Mário Maestri, ed. Expressão Popular. E o Catálogo Euclides da Cunha, uma poética do espaço brasileiro, da Fundação.

Sobre os Sertões, o Conselheiro e o Messianismo no Nordeste existem centenas de livros e é preciso ler as mais diferentes versões. Ouvir os relatos de sobreviventes coevos. Ler as prédicas de Antonio Conselheiro, publicadas no livro Antônio Conselheiro e Canudos do Ataliba Nogueira, o que mostra que o beato Conselheiro escrevia bem e não era o monstro insano que muitos propagaram em discursos, livros, charges, artigos e preconceitos. Para o médico Nina Rodrigues, Antonio Maciel – O Conselheiro -seria um doente mental magalomaníaco. O sertanejo mestiço uma raça inferior.
“A civilização avançará nos sertões impelida por essa implacável“ força motriz da História”, que Ludwig Gumplowicz, (1838-1909), maior do que Hobbes, lobrigou, num lance genial, no esmagamento inevitável das raças fracas pelas raças fortes”. (Euclides da Cunha – Os Sertões).

Euclides da Cunha namorou o positivismo, como muitos intelectuais brasileiros. A ciência brasileira nasce positivista. A idéia de uma raça inferior de Euclides, emprestada de Gumplowicz, é uma falha grave no arcabouço antropológico edificado por Euclides. Euclides da Cunha escreveu um dos maiores livros da literatura brasileira e não fora o seu livro e artigos publicados em jornais, Canudos não teria tido o destaque que merece, na maior guerra civil do Brasil e que não pode ser esquecida por nenhum brasileiro.

È sempre um gozo ler Euclides. O Conselheiro – esse grande “homem pelo avesso”, é assim descrito no monumental Os Sertões:
“satisfez-se sempre com este papel de delegado dos céus. Não foi além. Era um servo jungido á tarefa dura; e lá se foi, caminho dos sertões bravios, largo tempo, arrastando a carcaça claudicante, arrebatado por aquela idéia fixa, mas de algum modo lúcido em todos os atos, impressionando pela firmeza nunca abalada e seguindo para um objetivo fixo com finalidade irresistível.”

Viagem pelo Sertão

Na madrugada de um domingo de primavera (05 de outubro de 2009) saímos do recife em direção á Bahia, via Caruaru. Depois Tacaimbó, Belo Jardim, Sanharó, Pesqueira. Arco Verde e o entroncamento do nordeste. Um longo trecho pela famosa reta de Ibimirim (PE 180). Nenhuma alma viva e só alguns bodes criados em “fundo de pasto”. Na volta por essa estrada longa e perigosa, vemos dois motoqueiros sendo investigados e ameaçados por pistolas e rifles numa cena cinematográfica. Estamos em pânico e com medo de um tiro. A estrada está tomada por policiais e enquanto um policial revista os rapazes, uma mulher e um policial apontam as armas. Depois, Floresta, Belém de São Francisco (BR 316), e alívio!: Por ter atravessado a estrada e a ponte sobre o velho Chico, dando acesso rápido a uma das cidades importantes da saga de Antonio Conselheiro, Chorrochó.

Antonio Conselheiro.

O beato Conselheiro nasceu no dia 13 de março de 1930, na cidade de Quixeramobim (CE). Estudou latim e francês, foi rábula e professor. Teve uma desilusão amorosa. Sua mulher fugiu com o sargento João da Mata. Ainda teve um outro breve relacionamento com a santeira e mística Joana Imaginária. Depois saiu em peregrinação construindo igrejas e cemitérios. Faleceu em 22 de setembro de 1897, de caminheira (disenteria) ou de estilhaços de uma granada, segundo outros. Antes, no dia 06 de setembro de 1897, já haviam derrubado as torres da igreja onde toda tarde ás 06h Timotinho tocava o sino para lembrar da Hora do Ângelo, da hora de rezar, mesmo quando sobre a cidade chovia uma chuva de balas. Destruindo uma cidade e uma população formada de penitentes, mulheres, crianças e combatentes que por três vezes saíram vencedores contra exércitos de militares fortemente aramados. A 4ª expedição sofreu sérias baixas e só não foi derrotada porque recebeu reforços. Liderou uma população de milhares de pessoas para quem ele deu alguma esperança e fé. A maioria dos padres não aceitava a sua liderança religiosa. Os fazendeiros perdiam trabalhadores para o arraial do belo monte. A república recém instalada temia pela volta da monarquia. Antonio criticava a republica e o estopim (ou pretexto) do massacre foi uma madeira comprada e paga pelo Conselheiro para construir a Igreja Nova e não recebida. Ainda choro com as ultimas palavras escritas pelo bom Conselheiro antes de morrer e depois ser exumado e decapitado pois não foram poucas as “gravatas vermelhas” e esviceramento aplicadas pelos soldados aos seguidores do conselheiro.

“É chegado o momento para me de me despedir de vós;que pena, que sentimento tão vivo ocasiona esta despedida em minha alma…,
Adeus povo, adeus aves, adeus árvores, adeus campos, aceitai a minha despedida, que demonstra as gratas recordações que levo de vós, que jamais se apagarão da lembrança desse peregrino, que aspira ansiosamente a vossa salvação e o bem da igreja.”

Chorrochó 04 de Outubro de 2009 .

Sob um sol de quase meio-dia chegamos à pequena cidade de Chorrochó. Qual não foi a nossa emoção de ver uma das igrejas construídas pelo peregrino Conselheiro. A igreja do Nosso Senhor do Bonfim foi construída em 1885 pelo peregrino Antônio Conselheiro e no altar-mor está colocado uma bela imagem do senhor do Bonfim protegida por uma redoma de vidro e madeira entalhada. À direita uma imagem do Sagrado Coração de Jesus e, á esquerda, uma gruta com uma imagem de nossa Senhora de Lourdes. Na frente da igreja um belo cruzeiro encimado por uma base na forma de cuscuz. “Corria rio de leite e as barrancas eram de cuscuz”

Há algumas quadras da igreja fica o cemitério também mandado construir pelo conselheiro. São túmulos centenários Em um deles está enterrado Luiz Antonio do Nascimento. Num pequeno quarto está colocado ao chão um “caixão das almas”. Caixão comunitário utilizado por muitos que não tinham direito a essa regalia na terra, Os corpos eram sepultados sem o caixão enquanto suas almas subiam ao céu,

João da Mata e Inácio Sena ao lado do Caixão das Almas.

Almoçamos levando picada de muriçoca em uma residência – restaurante próximo da igreja. A dona do restaurante disse que o movimento na cidade diminuiu muito com a construção da ponte sobre o Rio São Francisco. Progresso para alguns prejuízos para outros e assim caminha a vida nesse sertão de juazeiros e juremas. Partimos em direção a Bendegó e a pequena vila imaginada por José Aras, autor do importante livro “No sertão do Conselheiro”. O museu do J. Aras existem muitas peças e armas coletadas em Canudos. Faz parte de sua coleção os famosos livros “Horas Marianas” e a “Missão Abreviada”, pertencentes ao Antonio Conselheiro. Infelizmente só conhecemos esse museu em fotografias de livros.

Bendegó

O mais importante meteorito encontrado no Brasil pesa mais de cinco toneladas e caiu no povoado de Bendegó, próximo ao santuário do Sertão, o Monte-Santo. O meteorito formado essencialmente de ferro e níquel foi encontrado acidentalmente pelo menino Bernadino da Motta Botelho, em 1784. Mais de um século após do achamento o meteorito foi transportado com muita dificuldade para o Rio de Janeiro, a pedido do imperador D. Pedro II. No local da queda foi colocado um marco que infelizmente não se encontra mais no local.

Tentamos achar o local onde caiu o famoso aerólito e depois de muito trafegar por estradas esburacadas e sem nenhuma sinalização fomos guiados por um motoqueiro que nos levou a um local onde existe uma grande cratera abaulada, diferente do meteorito que é achatado. No local onde supostamente caiu o meteorito coletamos algumas amostras para analise de sua mineralogia. As amostras parecem muito com aquelas encontradas em um museu em Canudos, que diz pertencerem ao meteorito. Não sei, tenho dúvidas e preciso investigar melhor. Pelo sim e pelo não andar naquela região erma já foi uma grande alegria.

Nas estradas, muitos cactos, umbuzeiros e umburanas. Aqui acolá um Ipê-Amarelo que colore o cinza de uma vegetação rala. São poucos os viventes. Os burros foram trocados pelas motos. Cai a tarde e é hora de irmos para a Pousada Pôr-do-Sol e apreciarmos o crepúsculo através encostas abruptas das famosas serras Canabrava, Cocorobó e Passo de Cima. Serras que fazem parte do anfiteatro da guerra de Canudos. Estamos em pleno palco e as águas do Cocorobó são águas que jorram dos olhos que choram essa grande tragédia brasileira.

Canudos

A estrada para Canudos é de barro. Não existe sinalização de rios-riachos, baixios e sítios-palco de uma história de bravura e heroísmo messiânico. Na pousada pôr-do-sol em Canudos-03 fico sabendo ficou hospedado o grupo do Zé Celso quando preparava a montagem da peça Os Sertões, baseado no livro de Euclides da Cunha. O local também serviu de alojamento para os engenheiros que trabalharam na construção do açude Cocorobó. Uma escultura em madeira estilizada do Conselheiro adorna os jardins da pousada. Pode se apreciar também no local uma peça de ferro que ao ser percutido servia para chamar os companheiros, em Canudos.

A noite um belo luar do sertão. De repente, quando estamos visitando a Nova Igreja Paroquial de Canudos, pagam-se as luzes e a cidade ficou um breu. No céu está bem visível o cinturão de Órion. Ficamos sem saber se o Santo Antonio da Igreja é o mesmo que pertenceu ao conselheiro. Na frente da igreja uma bela pintura-mural retratando o Conselheiro seguido por uma mulher e um menino no colo, trabalhadores portando facões, enxadas, foices. As armas que eles usavam para combater os exércitos portando metralhadoras e canhões. Sob o céu de Canudos e sem luz elétrica jantamos. Hora de dormir. No dia seguinte visita aos museus e o parque estadual de Canudos.

Segunda feira 05 de outubro de 2009

Em 05 de outubro de 1897 Canudos foi finalmente destruída. Milhares de mortos e escombros. Um cenário de destruição na mais sangrenta guerra do Brasil.

No Instituto Popular Memorial de Canudos organizado pela diocese de Canudos – em uma sala contígua, parte das madeiras que seriam utilizadas na construção da Igreja Nova e que deram origem ás discórdias e foram pretextos para atacar os “jagunços” de Canudos. Essas madeiras junto com uma porta foram doadas depois de mais de um século do conflito.

No Instituto, algumas esculturas do conselheiro em madeira e quadros alusivos ao sertão. À venda os Almanaques de Canudos e outras publicações e CDs. Numa estante fechada diversas publicações sobre Canudos, Euclides da Cunha e material coletado na região. Cascas de balas, projéteis, amostras do meteorito de Bendegó e objetos alusivos à guerra de Canudos.

Memorial de Canudos

O memorial de Canudos está em reforma e não foi possível ver muita coisa. O funcionário gentilmente nos deixou visitar o belo jardim com a fauna e flora de região. No jardim bem projetado é possível apreciar o Alecrim do Campo, o Manjericão, a Catingueira, a Cunanã, Palmatória do Diabo, Macambira, Xique-Xique, Favela, Caroá. E a planta que deu origem ao nome da cidade, Canudos. Seus longos galhos com um estreito canal eram utilizados para fumar e chamado Canudos de Pito. No memorial também existem muitos vídeos sobre Canudos, mas não foi possível copiar ou comprar.

Parque Estadual de Canudos

O parque estadual de Canudos (PEC) é visita obrigatória para quem deseja conhecer Canudos. Na entrada precisa se identificar e ao final da visita deixar as impressões sobre a visita. As minhas foram as mais fortes possíveis. Devido à grande extensão do local precisa andar de carro sobre um sol escaldante È grande a sensação de torpor ao passarmos pelo vale da morte, onde os militares lançavam os mortos da guerra. Também é possível ver algumas trincheiras rasas utilizadas pelos conselheiristas. Numa área de 18 Km2 existem alguns dos principais pontos utilizados durante a guerra. O Vale da Degola, onde os militares praticavam a degola, ou a terrível gravata vermelha. O Hospital de sangue. No alto do Mário morreu o temido coronel da 3ª expedição derrotada, Antônio Moreira César (1850-1897), o “corta cabeças”. No local também existe um buraco tampado com a ossatura de alguns mortos.

Uauá

Estivemos na bela cidade de Uauá. A casa onde se hospedara os oficiais da expedição Pires Ferreira – a primeira expedição contra Canudos, foi destruída e em seu lugar só existe o terreno onde será construído um prédio comercial.

Vizinho á casa está localizado o Colégio Estadual Nossa Senhora Auxiliadora. Quando das fundações da construção do colégio foram encontrados ossos dos conselheiristas e soldados que combateram no local. Os ossos foram deixados, segundo somos informados pelas professoras do colégio, onde fomos muito bem recebidos. A simpática professora de história conhece bem da Guerra de Canudos e nos forneceu informações preciosas e alentadoras de que nem tudo está esquecido. A professora e o seu marido (músico) cumprem bem o seu papel na divulgação de uma história em que sua cidade participou de forma decisiva.

Os conselheiristas foram buscar a madeira não entregue. Em procissão portando a bandeira do divino, uma cruz e cantando hinos. O juiz Arlindo Leone havia mandado vários telegramas ao governador Luís Viana, dizendo do perigo da invasão da cidade pelo “perverso Antonio Conselheiro reunindo bandidos”. Na cidade de Uauá teve o primeiro confronto entre conselheiristas liderado pelo bravo João Abade e militares, com muitas mortes.

A expedição militar retorna para Juazeiro (BA) com um saldo de 10 mortos (entre militares e guias) e muitos conselheiristas assassinados.

Monte Santo – O Santuário do Sertão

No último dia de nossa viagem (06/10/2009) acordamos ás 04h da madrugada e saímos em direção ao Monte Santo, um dos pontos mais conhecidos e famosos da saga conselheirista. Monte Santo fica situado a 39 Km da cidade de Euclides da Cunha (Cumbe), antiga mata das preguiças.
O beato Conselheiro esteve nas terras de monte santo e subiu a antiga serra de Piquaraçá. O nome de Monte Santo foi dado pelo frei capuchinho Apolônio de Todi. As muralhas de pedras na subida do monte-santo até a primeira capela são obras do conselheiro. Subo no célebre monte – palco de tantas romarias, filmes e peregrinações, na companhia do amigo Abimael calçando sandálias tipo havaianas.

Nas mais de vinte capelinhas da via sacra ao longo da íngreme e escarpada subida de pedras irregulares, muitas velas acesas, um preto velho, santos e outras oferendas. Na subida também são encontrados muitos ex-votos em fotografias.
Paramos poucas vezes na subida de mais de 800m de altura e numa extensão de aproximadamente 2 Km. Em 50 minutos subimos o Monte Santo tantas vezes visto e sonhado. Pagamos a promessa. No topo do monte a igreja de Santa Cruz, começada a construir no século XVIII. A primeira capela da subida e dedicada ás almas. Em seguida as capelas de Nossa Senhora das Dores e do Senhor dos Passos, como partes da via sacra, lembrando o Calvário de Jerusalém. .

Famílias inteiras subindo. Rapazes portando caixas de pistolas para soltar lá em cima. Um rapaz estranho e taciturno. Todos cumprem o trajeto sagrado.
Na praça Mons. Berenguer em Monte Santo, tem uma escultura do Conselheiro, um busto do Marechal Bittencourt e sua barbicha e a carcaça da famosa metralhadora, réplica da Withworth 32 – a Matadeira.

Queimadas – A Última Cidade da Viagem

A cidade de Queimadas é uma outra cidade importante na história de Canudos. Na estação de trem de Queimadas chegavam os soldados que iam lutar em Canudos. Atualmente a estação está desativada e o mato cobre os trilhos ainda em bom estado. Não tivemos informação dos moradores sobre Canudos.

A 4ª expedição era formada de duas colunas e foi a coluna do General Savaget quem socorreu a coluna do general Artur Costa. De Queimadas saiu a 1ª expedição chefiada por Manoel da Silva Pires Ferreira, em direção a Juazeiro e depois Canudos. Em Queimadas também desembarcou parte da chamada 4ª expedição chefiada por Artur Costa, seguindo por Monte Santo e Caldeirão em direção a Canudos. A outra coluna que formaria a 4ª expedição saiu da cidade de Aracaju, via Itabaiana em direção a Canudos. Foi essa expedição que salvou Artur Costa de mais uma derrota pelos conselheiristas e venceu a guerra numa luta desigual em uma das maiores tragédias civis do Brasil, com um saldo de mais de 20 mil mortos e aproximadamente cinco mil casas destruídas.

O Vaza- Barris

No caminho de volta atravessamos o legendário rio Vaza- Barris. Rio de um traçado irregular e fonte de vida. Rio que também transportou a morte de muitos sertanejos mortos por uma guerra insana. Ali uma corredeira, um Canyon formado pelas intempéries, um garganta ou só um filete. São muitos os afluentes secos que só ganham vida na quadra envernosa. Ai novamente a vida, o alimento e a sede aplacada por uma terra árida e seca num sol inclemente que espera e reza pela chuva. Tem razão Euclides da Cunha, o sertanejo é um forte.

Visitar Canudos é uma obrigação para todo brasileiro. È um ato de conhecimento histórico, psíquico e humanitário. Ninguém conhece esse sertão sem adentrar em suas matas selvagens de velames e calumbis. De juazeiros e juremas. De mim e de você. Só para contar viajei.

Até a próxima!

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