[VÍDEO]: “Escolha”, de Gilvânia Machado

Você uma vez falou

Que eu parecia duas…

Não, meu bem, não

Sou bipolar.

 

Em mim habita muitas

Mulheres, sou múltipla

Carrego no peito, na alma, na Luta, na dor, todas as mulheres que sangraram em vida,

Mulheres que defenderam bandeiras,

Mulheres incendiárias,

Mulheres ardentes na cama e ladys na vida.

Em mim pulsam Pagu, Frida, Camille Claudel, Maria Callas, Tarsila, Marielle

 

Por isso sou tão complexa

Enigmática, louca, ciumenta, ardente, fogosa,

Sexy, militante, poética, sangue nas ventas

Aluada, enluarada.

 

Mas de todas essas mulheres

Você quer Amélia.

 

Se você fizer por muito merecer,

Posso ser Adélia.

Preparar um peixe,

Te prender pelo estômago,

Te enternecer, ser mansa e suave.

 

Mas, se me afrontas?

Sou abelha rainha!

Puro mel em voo nupcial.

 

Mas que te mato em pleno gozo,

Destino de todo zangão.

 

Se silencia, fechas as portas,

Sou Claudel jogando pedras no teu telhado,

Pinto minhas dores sofridas

Mas nunca, nunca temerei o salto para o abismo.

 

Serei Ismália romanticamente enlouquecida…

Serei Pagu em plena luta

“Com a esperança cortada, mas crente que será regenerada”

Serei Marielle sempre presente cobrando justiça pelo sangue derramado.

 

Não meu bem, desista!

Sou complexa, intensa multipolar…

 

Vai para os braços de tua Amélia,

Que eu fico aqui amando todas mulheres que pagaram o preço:

Da solidão, da loucura, do abandono da traição,

Da bala encomenda, do sangue jorrado…

Mas foram fiéis a si mesma.

 

Viva com tua Amélia Porque no espelho que me contemplo refletem todas essas

Revolucionárias.

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