Vindo da ida

Quem chega em casa aos setenta/

Vindo do ermo da ida,

Arrastando as armas que pendem da cintura,/

Na ferrugem de todas as perdas,/

Apenas vê as ruínas das paredes/ da velha casa

Que ainda lhe oferece abrigo./

Feita de tristeza? Não. De solidão? Menos ainda./

Há todo um encanto de chegada/ que faz dos setenta/

Uma triste alegria de quem nunca saiu dali/.

Esteve sempre preso nas cinzas amareladas da

Espera. /

E se não esperou chegar/ também não partiu./

Imita o rei dos celtas ante o conquistador romano:/

Joga as armas no chão/ procurando um vencedor inexistente!

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

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