Visitando Rachel de Queiroz

Estive na Terra da Luz. Terra do filósofo Farias Brito e do grande vate popular Juvenal Galeno. Terra de Iracema e Tupã. Morada física atual da poeta e amiga Nina Rizzi.

Em 2010 a escritora Rachel de Queiroz faria 100 anos. Faleceu em 2003 com a glória do primeiro livro escrito na mocidade à luz de candeeiro e às escondidas. Livro escrito com lápis num caderno escolar e impresso numa tiragem de mil exemplares na Tipografia Urânia. Para imprimir o livro ela precisou pagar dois contos e quinhentos do próprio bolso. Em 1930, quando Rachel de Queiroz publicou O Quinze estava na flor dos seus vinte anos de idade.

Romance que deve ter sido a ultima leitura do velho Graça, narra o drama da seca que assola a região nordestina onde a escritora e grande tradutora nasceu. Por esse livro ela recebeu o premio Graça Aranha.

Rachel foi professora, jornalista, romancista, cronista e teatróloga. Mais cronista que qualquer outra coisa. Durante três décadas ela foi a famosa ultima pagina da revista “O Cruzeiro”.

Entre suas obras consagradas estão os livros “As Três Marias” (1939) e “Memorial de Maria Moura” (1992). Para escrever esse livro que virou minissérie na TV Globo, ela teve o auxílio luxuoso do sertanólogo potiguar Oswaldo Lamartine.

Rachel colaborou durante anos para os jornais “Diário de Notícias” e “O Jornal”. Foi amiga dos grandes escritores de sua época e confidente e cúmplice de generais que produziram o terrível golpe militar de 64. Do cearense Castelo Branco foi amiga intima e confidente. Essa quadra triste de sua biografia preferia que não tivesse existido, mas ela viveu em plena consciência e conveniência.

Prefiro lembrar de outras amizades e afetos dessa querida nordestina que nunca abandonou sua rede branca. Com uma cara de mãe ou tia viveu grandes momento na fazenda “Não me deixes”.

Foi eleita para Academia Brasileira de Letras, mesmo dizendo não almejar comendas e louros.

Do meu querido Mario de Andrade, seu amigo, ela deu um depoimento definitivo: Sua importância para a minha geração foi a de um mestre, o guru, o companheiro, o irmão mais velho. Nós nos espelhávamos nos olhos de Mário, escrevíamos sobre as bênçãos de Mário, escreveu Rachel no livro de biografia escrito a quatro mãos com sua irmã Maria Luíza de Queiroz.

Rachel foi pioneira do grande ciclo do romance nordestino que teve protagonistas da envergadura de um José Américo, Graciliano Ramos e José Lins do Rego. Visitar e ler Rachel é necessário. Suas crônicas, biografia e livros contam parte da história do Brasil no século XX. Uma história de golpes, cangaceiros, ditaduras e grandes mudanças.

Rachel escreveu seu primeiro livro à luz de candeeiro. Hoje nós podemos escrever à luz das melhores lentes e tecnologia. E não devíamos cometer os mesmos erros do passado. O que dizem ser ditadura pode significar uma mudança de paradigma com a retirada de milhões do maior abandono a que a republica brasileira os submeteram. O homem e os políticos pouco mudaram, mas a história é outra. Uma história que Rachel, eu ,você estamos fazendo e somos protagonistas.

Físico, poeta e professor [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

11 + 9 =

ao topo