Viva Areia Branca!

Matéria publicada na Tribuna do Norte:

Cultura viva e compartilhada

Yuno Silva – repórter

Nada melhor que ter o trabalho reconhecido nacionalmente,  e mais ainda quando ganha-se um prêmio em dinheiro por isso. O mérito da iniciativa merece valor dobrado por tratar-se de projeto realizado em um município distante dos grandes centros, selecionado em segundo lugar entre concorrentes de todo o Brasil. Acrescente nessa conta, o detalhe da realização ser responsabilidade de gestores públicos.

Essa façanha, resultado de um trabalho com mais de oito anos de estrada, foi conquistada pelo projeto “Do Auto dos Navegantes ao Auto da Conceição” junto à terceira edição do Prêmio Cultura Viva, iniciativa do Ministério da Cultura com realização do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC) e patrocínio da Petrobras.

O Prêmio recebeu inscrições de todo país em quatro categorias – Gestor Público; Grupo Informal; Organização da Sociedade Civil e Ponto de Cultura – e os valores dos prêmios são R$ 40 mil para o primeiro lugar; R$ 25 mil para o segundo; e R$ 15 mil para o terceiro lugar. Com a verba, prevista para ser liberada em março próximo, o projeto “Do Auto dos Navegantes ao Auto da Conceição” pretende adquirir equipamento de iluminação e sonorização para reduzir custos em futuras apresentações.

Promovido pela Secretaria Municipal de Assistência Social, órgão que coordena o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – Peti na cidade de Areia Branca (distante 330 km da capital potiguar), o projeto envolve cerca de 450 crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos da zona urbana de Areia Branca e na comunidade rural de Ponta do Mel em torno de oficinas socioculturais e educativas que culminam em dois grandes espetáculos: o Auto dos Navegantes e o Auto da Conceição.

O primeiro Auto acontece em agosto e narra a fundação da comunidade, seus personagens, causos e lendas; já o segundo é  realizado em dezembro e homenageia a padroeira oficial do município, Nossa Senhora da Conceição.

“Nossa atuação tem como objetivo principal enaltecer os valores culturais de nosso município”, disse a assistente social Francisca Batista, que trabalha no projeto. Entre as atividades promovidas, destacam-se oficinas de teatro e dança, iniciação musical (flauta e percussão) e grupo de capoeira. Coordenada por Maria Evânia Seixas, com total apoio da secretária de Assistência Social do município, Verônica Campos Pedrosa Bruno, a iniciativa é desenvolvida dentro do Peti, programa coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Segundo Francisca Batista, a produção dos Autos envolvem toda a comunidade e grupo está sempre buscando novos formatos para contar as histórias: “Todos os anos, antes de iniciar a produção, nos reunimos para definir como será a abordagem do tema, sempre valorizando personagens da região. Procuramos incluir o maior número possível de crianças atendidas pelo Peti”, disse, “Areia Branca tem duas padroeiras: Nossa Senhora da Conceição é a padroeira oficial da cidade, mas Nossa Senhora dos Navegantes tem grande importância por sermos uma cidade muito ligada ao mar”, finaliza.

Seleção foi rigorosa

Por ter uma abordagem nacional, o Prêmio Cultura Viva escala profissionais da área cultural em todos os estados, e os representantes do Rio Grande do Norte foram o ator e dramaturgo Henrique Fontes, o jornalista e escritor Carlos de Souza e a atriz e escritora Clotilde Tavares. A primeira etapa da seleção foi dividida regionalmente, quando cada parecerista recebeu cerca de 15 projetos para análise. “Foi uma maratona: redigimos relatórios e filtramos os projetos até chegarmos a cinco. Fomos para Recife defender os pareceres, e saímos de lá com apenas dois projetos selecionados”, disse Carlos de Souza.

Após essa primeira fase, os projetos passaram por nova avaliação – junto com inscritos de todo o país – para nova peneira. “Essa segunda etapa aconteceu em São Paulo, de onde saíram dez projetos selecionados para cada categoria”, informou Clotilde Tavares, única parecerista do RN a participar da fase nacional. “Após essa escolha, realizamos visitas in loco para conhecermos melhor o funcionamento de cada projeto inscrito – até então a avaliação foi toda baseada nos formulários apresentados”, disse a escritora.

Veterana, Clotilde participou da seleção em todas as edições do Prêmio Cultura Viva e disse que ficou emocionada com o trabalho desenvolvido em Areia Branca. “Espero que este Prêmio tenha continuidade, pois é muito importante esse reconhecimento”, garante.

Jornalista e escritor. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 − três =

ao topo