Viva o Rádio e o pai da rádio-difusão no Brasil, Edgar Roquette- Pinto

No dia mundial do Rádio , lembro do grande nacionalista Edgar Roquette- Pinto. Pode-se dizer que ele foi o mentor desse grande meio de comunicação e educação no Brasil. Fundou e dirigiu a pioneira Rádio Sociedade do RJ, em 1923, depois transformada em rádio MEC. Rádio que revolucionaria a transmissão da cultura, entretenimento e informação. A Música Brasileira deve muito da sua “Época de Ouro” á radio.

Roquette-Pinto foi médico, professor, antropólogo, etnólogo, escritor e ensaísta brasileiro. Em 1917 publica um grande clássico da
antropologia brasileira “Rondônia”, fruto da sua participação no projeto
Rondon.

Um grande nacionalista. Faz parte daquelas pessoas que amam o Brasil
profundamente. Ele, Rondon, Teodoro Sampaio, Euclydes da Cunha e outros
que deixaram sua marca de amor por esse grande país que conheciam como
ninguém.

Desejo falar, hoje, de um outro grande livro escrito por Roquette-Pinto:
“Seixos Rolados”, de 1927. Um livro de estudos brasileiros. Um livro de
amor o Brasil. E fala de grandes naturalistas, do poeta Vicente de
Carvalho, de etnografia, dos segredos das Uiaras e muito mais.
De Euclydes da Cunha, foi o escritor que vi falar com maior paixão e
profundo conhecimento. Em “Euclydes da Cunha Naturalista” (pp 263-303 op.
citada) eu deixo falar Roquette-Pinto como se houvera transmitido
emocionado em alguns daqueles seus memoráveis programas em ondas
Hertzianas de uma rádio educativa: eu disse: rádio que educava o Brasil:

“Não há, nem houve, e nunca haverá quiçá, quem descreva a natureza do
Brasil de maneira tão formidável.”

“ Para ele, a vida humana, nos recantos da terra brasileira que palmilhou,
era pungente episodio de um quadro natural revolto pelas condições da
própria instabilidade”.

“ E foi por essa miséria, e foi por essa tristeza que Euclydes se
apaixonou. Sentindo, como Heine, que é preciso transformar nossas dores em
cantigas,…. pensando como o provérbio hebreu, que a melhor mentira ainda
é a verdade”

“Para ele a natureza do Brasil era global; só a via em conjunto”

“ Os Sertões” são um tratado de etnografia sertaneja… Não é um livro de
literatura: é um livro de ciência e de fé”

Assino em baixo tudo o que Roquette-Pinto escreveu, para concordar que em
Euclydes da Cunha, o homem era parte de um todo. A Natureza era
determinante nos costumes, sentimentos e lutas dos homens com o seu
habitat. O Todo estava integrado. Euclydes foi um homem de ciência que
também fez literatura. “Os Sertões” nos ensina que o país está em
construção e terá o destino que nós escolhermos. Há muito a ser feito.
Lamentar, com Roquette-Pinto, a nossa pouca leitura e educação. Só com a
educação o homem saberá ler e cuidar da natureza. Só com a educação o
brasileiro saberá que Euclydes foi um grande homem e que escreveu um dos
maiores livros da nacionalidade feita de muitas raças, imigrantes,
jagunços, mestiços, gaúchos e sertanejos. Entender que esse caldeirão pode
ser o diferencial de uma grande nação que está a ser construída.

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