Você é um pirata de livros?

Adquiri, ontem, uma primeira edição argentina (impressa no Uruguai) do novo romance de Mario Vargas Llosa: “El sueño del celta” (saiu pela Alfaguara e ainda não há a versão brasileira).

Dia desses, tive a oportunidade de ver, através de uma reportagem de uma emissora de televisão argentina, gente vendendo versões piratas do livro de Llosa, e em pleno sinal de trânsito (aqui em Natal só tem gente vendendo frutas e jogando água no vidro do carro).

A capa dos piratas impressos era bem bonitinha, formato assemelhado ao original, nada que parecesse uma cópia de segunda categoria.

E aí fiquei me lamentando (não entendi bem por quais cargas d’água) que a pirataria no Brasil só tivesse alcançado (e em grandes proporções) os CDs e os DVDs.

Mas, aí a memória acusou algo estranho. Que nada! A gente faz pirataria de livros há tempos! Todos sabem que as reprografias universitárias estão lotadíssimas de obras pirateadas e com a menor qualidade possível. As filas de estudantes comprando cópias xerox de livros acadêmicos e outros específicos são imensas. E sob os olhares complacentes e participativos mesmo dos professores.

Eu, mesmo, reproduzi várias obras acadêmicas em minha época de universidade. Apesar de sempre ter preferido as versões originais, até mesmo por achar insuportável o acondicionamento daqueles volumes espiralados, com sobrecapa plástica de segunda em que ficavam carimbadas as letras desbotadas da capa em tinta preta.

E você? Nunca? Nunquinha? Tem certeza?

Responda-me outra coisa: é possível não fazê-lo?

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Lívio Oliveira 7 de dezembro de 2010 17:15

    Oh, grande Ítalo, bondade sua, meu caro! De suas dicas, curto mais aquelas elencadas nos itens 3 (o velho “Xangai”, de quem assisti a um show no saudoso “Bar do Buraco”), 4 e 5. Sou um apreciador do “Concierto de Aranjuez”, de Rodrigo, há muito tempo e o tenho em CD e DVD, também com o Paco. Piazzolla é, para mim, um dos mais elevados criadores da música, apesar de alguns argentinos considerarem que deformou o tango tradicional. Adiós Nonino, por exemplo, é um clássico insuperável. Uma melodia tocante.

    Dia 30 de dezembro estarei viajando para Buenos Aires. Se você quiser, trago algo de Piazzolla. Será um presente pela gentileza de suas palavras.

    Mas, também admiro e curto (um pouco) a bela voz de Renato Braz (tem uma tonalidade parecida com a do Djavan) e a criatividade de Camelo (por sinal, está tendo um romance com uma menina que acho genial: Mallu Magalhães.)

    Não costumo falar e/ou escrever sobre o Direito em espaços da internet ou mesmo na imprensa escrita (raramente o fiz). Tenho muito cuidado e pudor. E me solto mais falando sobre assuntos como arte e cultura, mesmo com as minhas limitações explícitas. Mas, podemos levar um papo, Ítalo, sobre o assunto, qualquer dia desses. Num cafezinho, lá na Siciliano.

    Um abraço!

  2. Ítalo de Melo Ramalho 7 de dezembro de 2010 15:38

    Caro Lívio, em comentário anterior dentro de um post escrito por ti, pedes a minha colaboração com publicações sobre música aqui no SPlural. Eu não teria modéstia em afirmar que de fato conheço o que se passa no meio musical local, regional, nacional e internacional, e nos mais variados pontos (a)onde poderíamos encontrar as melhores cepas nesta vastíssima seara artística. Porém, para a minha decepção não poderei colaborar com o amigo. Meu escasso conhecimento na área não vai além do passeio publico, mesmo assim, atrevirei-me a te informar de chiste o que estou saboreando no momento e creio que conheces a todos.

    1. Marcelo Camelo (Los Hermanos), com seu albúm “sou” que de cabeça para baixo vira “nós”.

    2. Renato Braz, uma das melhores vozes do mundo, o albúm que escuto religiosamente tem músicas extremamente melodiosas e ricas no seu fraseado, como: Anabela, Sorri (Smile), Estrela da Terra, Bambayuque e Meu Drama de um dos melhores sambistas de todos os tempo conhecido pela a alcunha de SILAS DE OLIVEIRA. Este e outro sambista que estou iniciando uma pesquisa chamado ROBERTO PEREIRA, já que no site da cultura marcas tem um DVD com o próprio.

    3. Outro camarada que não pode faltar é Eugenio Avelino, recebi a pouco uma coletânea com todos os seus discos, uma maravilha, em especial um disco de 1984 que tem por título Mutirão da vida. Neste albúm , a música que preludia esta orgia sonara é linda, chama-se “Fábula ferida”, escuta e saberás do que falo.

    4. Também escuto atentamente um dos maiores concertos para violão, instrumento que tenho uma particular admiração, do espanhol Joaquim Manuel Rodrigo, Concerto de Aranjuez, interpretado pelo o não menos conhecido Paco de Lucia. Fantástico!

    5. Para minha surpresa, encontrei nas lojas Americanas um CD do grande músico argentino Astor Piazzolla. Confesso, não escutei com cuidado que o porteño merece, mas estou ansioso para desfrutá-lo.

    Obs.: Agora o que faço com o Direito? A quem devo seguir nos ramos do direito material e nos braços do direito fromal?

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