Volta

Por Jarbas Martins

Por onde anda Socorro, meu vago amor de algum dia? Soube apenas que está na cidade com seu novo marido alemão. E só. Do décimo nono andar do apartamento, onde vivo com Irani, contemplo uma parte do mundo Socorro, um telhado entre outros telhados. E bastaria isto como metáfora para defini-la. Socorro, tão breve como um beiral para onde voam pássaros. Lembro agora de suas risadas imprevistas capazes de afugentar andorinhas, e qualquer projeto sério de vida. Lúdica Socorro. Se estivesse aqui, ao nosso lado, seria capaz de repetir a brincadeira qie chamava de Semiótica, uma das suas preferidas. Consistia em repetir, de uma maneira peculiaríssima, a palavra S-a-u-s-s-e-a-r-e, imitando o bico gracioso de uma sua amiga e mestra francesa. Ou, como era infantilmente buliçosa, seria caoaz de pegar este despertador e, com o moreno dedo indicador, fazer girar no sentido contrário aos relógios um ponteiro.Ou talvez como uma criança velha se pusesse a brincar de ci clope, testa contra testa, os dois olhos do outro se fazendo um. Se aqui estivesse, lendo este Subsrantivo Plural, se deliciaria com os versos de Jairo Lima, de um poema chamado Sábado. Ela a cultuadora de sábados, esoterismos e semióticas. Se deliciaria desconstruindo os versos do poema, rearranjando-os, apontando com sua bela unha íntima de curiosidades a coincidência do substantivo nomes com o advérbio menos. Sem nenhuma razão científica aparente. Seria capaz de sacar significados tão ocultos das palavras, com seu jeito insicero, que espantaria as pombas do telhado e desataria risadas de um iaxidermista.Volta, Socorro, ao nosso convívio, volta, desconstruidora de entardeceres e palavras, agora que em nossas cabeças ronda uma auréola de trevas.

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Jarbas Martins 7 de maio de 2010 11:56

    não, amigo joão, não é a socorro trindade.

    obrigado, nina nin, beijos.

  2. Nina Rizzi 7 de maio de 2010 10:34

    nossa, volta, socorro!

    como vc é exigente demais com seus textos, faça uma brincadeira que a socorro certamente lhe faria: finja que vc leu: Volta, de jairo lima, ou de gustavo de castro, ou mesmo nina rizzi. agora brinque que vc é ainda menino e vai ler essa coisa e vc está metido numa saudade desgraçada. agora leia.

    leu?

    eu, que estava aqui fazendo a brincadeira de ler o texto volta como se fosse de jairo lima ou gustavo de castro e eu não sou eu, mas sou um fazedor de casamentos, eu sou jarbas martins. eu li. e eu disse:

    – eis um texto verdadeiro.

    um beijo, querido. pra vcs três.

  3. João da Mata 7 de maio de 2010 10:16

    Jarbas, é Socorro Trindade, nossa amiga de tantas farras poéticas?

    Poeta dos mistérios gososos e carnais
    Poeta que via prazer no Carnatal
    Poeta amiga de tantos carnavais

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