Woden Madruga fala sobre o seu primeiro livro “Na gaveta do tempo”

Hoje (31) pela manhã liguei para Woden Madruga querendo saber notícias do lançamento do seu primeiro livro “Na gaveta do tempo”. Informações colhidas aqui e ali davam conta de que estaria pronto. O que ele confirmou. Papo delicioso, cheio de verve e ironia, marcas registradas dele. Eu havia ligado mais cedo e ele estava na rua. Retornou-me por volta do meio dia. Conta que foi na farmácia e depois no supermercado, imagino que no Nordestão da Deodoro, seu preferido, onde já o encontrei algumas vezes (parece que é o meu também – rs).

woden 3

E como eu já esperava porque o conheço um pouco – trabalhamos juntos na Tribuna do Norte e fui assessor de imprensa da FJA na época em que ele era o presidente – não haverá lançamento. Foi “condição sine qua non” comunicada aos amigos (“quadrilha”) que ajudaram a tocar o projeto. Em meados de junho a obra estará à venda na Cooperativa Cultural da UFRN, “a melhor da cidade e que tenho relações sentimentais”. Edição do autor, sem lei de incentivo cultural e parcelada em três vezes (“o preço de uma bezerra” – rs), na Gráfica Offset, apesar de Dácio Galvão, presidente da Funcarte, ter se mostrado interessado em editar. Alguns amigos mais chegados receberão nos próximos dias o mimo.

Na verdade, a história desse livro começou há alguns anos e eu acompanhei mais ou menos. Passa pelo editor Abimael Silva e o poeta Maia Pinto, que manifestaram interesse de reunir em livro os textos publicados no “Jornal de WM”, na Tribuna do Norte. Não prosperou com Abimael, mas Maia tocou o projeto pra frente, que acabou não sendo aprovado por Woden e ficou pelo meio do caminho.

woden 4

A questão poderia ter acabado aí. Mas com a morte no ano passado de Ticiano Duarte, que ocupava uma cadeira na Academia Norte-rio-grandense de Letras, grande amigo de Woden, a edição do livro retornou à cena. Woden foi convidado e aceitou substituir o amigo na Academia. Mas para integrar os quadros da ANL a pessoa tem de ter um livro publicado. O projeto é, então, retomado, mas agora sob o comando de Alex Nascimento, contando com uma força de outros amigos como Mário Ivo e Marize Castro e da filha Beatriz, jovem estudante de Letras.

Reúne textos pinçados de colunas escritas ao longo de 50 anos de ofício, mais três prefácios, três orelhas e cinco cartas. Com uma tiragem de apenas 250 exemplares, traz na capa uma foto do jornalista feita por Giovanni Sérgio há uns seis anos e tem orelha assinada por Alex Nascimento. Do livro, que não vi ainda, minha expectativa é deparar com aqueles textos memorialísticos, nostálgicos e gostosos sobre uma Natal que não existe há muito tempo e que ele conhece como ninguém.

woden 5

Woden relata que o processo de selecionar os textos nos arquivos da Tribuna do Norte foi lento e cansativo, embora um funcionário do jornal tenha jogado esses arquivos para o seu computador de casa. “Uma tortura, eu não queria, sou jornalista {não escritor}, escrevo crônicas”, resume. Localizar os arquivos pelo dia, mês e ano, deparar com páginas de edições antigas ilegíveis pela ação do tempo, além das ‘mil coisas para fazer, imposto de renda, ir à farmácia, supermercado, correios…”, um trabalho que demandou tempo e paciência, esta última, com certeza, não é uma virtude de Woden – rs. Diz que está cansado, chegando aos 80 (ainda faltam 3 anos, é de 1939, ). Mas pelo que lemos diariamente na Tribuna continua um excepcional jornalista e com muito gás.

woden 2O livro permitirá submeter o nome à Academia. Tem eleição garantida. Comento que vou me mudar para a sua rua, a Heráclito Vilar, no Barro Vermelho, que já deu dois “imortais”, ele e o poeta Luís Carlos Guimarães, quase vizinhos. Ele cita mais dois, Ivan Maciel, que não mora mais lá, e um que ainda mora, João Cabral, “bom de copo”, acrescenta bem humorado.

Quero saber das leituras. Ele comenta que lê mais quando está na fazenda, nos finais de semana. Aqui em Natal a agitação, a coluna diária na Tribuna do Norte, as leituras na internet, sobretudo dos jornais (os portugueses são os favoritos) e os afazeres tomam seu tempo. Conta que leu recentemente os romances “Escândalo” e “Silêncio”, do japonês Shusaku Endo, apresentados pelo editor da TN Carlos Peixoto. Lembro que aí por volta de fevereiro último Peixoto falou-me sobre esse escritor. Descubro na internet que “Silêncio” virou filme dirigido por Martin Scorsese e deverá ser lançado em breve, se é que já não foi lá pelo Sudeste.

O meu gosto literário sempre bateu com o de Woden, cujas leituras abarcam todos os gêneros e estilos e escritores. Na época da FJA dialogávamos demais sobre literatura. Ó tempo bom! Pra ele, como para mim, vale a qualidade literária. Então, qualquer papo com ele, que lê muito, rende boas indicações de leitura, como essas acima, que irei atrás em breve.

Comentários

There is 1 comment for this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 × dois =

ao topo