Yukio Mishima

” Morra em pensamento todas as manhãs, e não mais irá temer a morte”. Hagakure

…Mishima foi um nacionalista perturbado por visões que o aproximaram de um perfil neofascista… apud Fernando Monteiro in Centenário de Kurosawa, sp

Caros Colegas,

Fiquei incomodado com a frase epigrafe desse post, retirada do belo texto escrito pelo Fernando Monteiro e postado aqui no sp.

Mishima suicidou-se cometendo o ritual do seppuku. O grande escritor japonês Akutagawa também cometeu suicídio. Kurosawa tentou o mesmo ato, mas não conseguiu. A morte para os japoneses tem um outro sentido e, para os Samurais, faz parte.

Gosto muito do Mishima e li praticamente todos os seus livros. Confesso que até admirei esse homem e seu gesto extremo. Preparou-se ao máximo e se fez bonito para morrer. Não aceitava a ocidentalização do Japão. Desejava a volta daquele Japão ancestral dos samurais e com raízes profundas numa cultura milenar. No hedonismo foi um precursor daquilo que hoje é moda.

Escreveu 40 novelas – algumas magistrais, 33 peças de teatro, 20 tomos de contos e vários ensaios literários. Foi ator e político. No dia 25 de novembro de 1970 num quartel em Tóquio, tomou a sala do comando geral do Quartel das Forças Armadas e discursou aos soldados incitando-os a rasgar a constituição e voltar as tradições, dando inicio a uma nova era de um Japão arrasado pela guerra. Diante de risos e galhofas cometeu o seppuku – o haraquiri. Estava belo. No máximo vigor de um homem. Uma coragem que me faz inveja.

Um homem de Sol e Aço num belo livro seu traduzido pelo Leminki e lido por mim com alegria na grande década de oitenta. Gosto muito também de o Marinheiro que perdeu as graças do Mar. Confissões de uma Máscara é muito auto-biográfico e narra as dificuldades de um quase adolescente . Belo também é o Templo Dourado. O Hagakure ou a ética dos Samurais e o Japão Moderno, etc.

Difícil entender as motivações de Mishima. Marguerite Yourcenar escreveu um belo ensaio sobre o grande escritor e ator “Mishima , ou a visão do vazio”. Tenho medo dos rótulos, principalmente quando falamos para os novinhos que estão nos lendo e para quem o Monteiro dedicou o seu artigo. Tenho dúvidas sobre a vida e o suicídio, mas não tenho dúvidas que Mishima foi um grande e corajoso homem-ator-escritor.

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